Jornal do Commercio
O terceiro curso de medicina vinculado ao sistema federal de ensino em Belo Horizonte abriu suas portas, ontem, meio século depois de a União ter autorizado o funcionamento da última instituição que prepara este profissional na capital. Uma aula inaugural, com o tema ciência e a arte da medicina, proferida pelo doutor Sérgio Danilo Pena, deu a largada para que 30 estudantes do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) consigam o diploma daqui a seis anos. A primeira instituição de ensino superior a oferecer o curso na cidade, há 96 anos, foi a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A outra foi a Faculdade de Ciências Médicas, há 52.
O curso do Uni-BH funciona no campus do Bairro Estoril, na Região Oeste da cidade, e foi autorizado pela Portaria 153, assinada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e publicada no Diário Oficial da União (DOU) de fevereiro passado. As aulas serão ministradas nos turnos da manhã e tarde. O vestibular que selecionou os futuros 30 médicos foi realizado no início de março. A relação de 24,36 candidatos por vaga surpreendeu a diretoria da instituição. A coordenadora do curso, professora Alessandra Duarte Clarizia, está otimista com o desafio de formar os novos profissionais.
"O curso chega com a proposta inovadora de investir na formação humanística e social dos profissionais de saúde, além de garantir ensino de qualidade baseado no currículo tradicional. A idéia é formar médicos aptos a enfrentar problemas atuais da categoria, resgatando, por exemplo, a tão desgastada relação médico-paciente. Além das disciplinas que chamamos de nucleares, vamos investir nas matérias formadoras que introduzimos na grade obrigatória do estudante, como a literatura, a música e a filosofia. Isso, com certeza, vai refletir na melhoria do relacionamento com pacientes e colegas de trabalho", disse.
Outra novidade significativa, segundo a coordenadora do curso, é a introdução precoce do estudante no hospital. "Desde o primeiro período, o aluno vai familiarizar-se com o ambiente, no caso com as visitas técnicas. No futuro, o graduando vai evoluir para formas mais complexas de acompanhamento da realidade diária do médico", explicou.